Tudo o levou a deixar aquele lugar, principalmente a dor que o matava lentamente.
Ele precisava lembrar que estava vivo pois mesmo ouvindo seu coração bater o frio o invadia por dentro.
Seu voo partiria as 09:20 p.m. e ele já estava quase atrasado. Ele exita ao pegar suas ultimas malas e leva las para o táxi que o aguardava la embaixo a algum tempo.
Ao passar pela porta ele respira fundo deixando a entre-aberta pensando em desistir de tudo, mas o que ele poderia fazer sendo que seu apartamento havia sido alugado pelo mesmo período a qual ele passaria fora de portas fechadas.
- Felizardo quem ficará aqui! Pensa ele. Pois verá todas as manhãs o Central Park com suas arvores alaranjadas no inverno.
Era impressionante como o aroma do café de manhã misturado ao de folhas molhadas pelo sereno não saiam de sua cabeça.
- Sim... Um grande sortudo!
O interfone toca... Era o táxi o avisando que ele perderia o voo caso não se apressasse.
Ele veste seu casaco, bate a porta, desce e embarca. Antes do carro dar a partida ele olha mais uma vez para a janela do seu apartamento e em um súbito flash de memória vê através da fina cortina branca a sombra de um casal feliz, abraçando se e beijando se.
O táxi parte e então ele fecha a janela. Ele não percebe o percurso até o aeroporto pois as lembranças o tomavam.
Ele lembra de uma manhã fria de domingo que ao acordar se depara com ela sentada na cama sobre as pernas o observando dormir em silêncio e ao perceber que ele acordara ela simplesmente sorri... Ai... Aquele sorriso!
Uma única lagrima fria escorre sobre seu rosto até ele ser trazido de volta pelo motorista o informando que haviam chegado ao destino.
O relógio marcava exatamente 08:45 p.m. e ele ainda precisava fazer seu check in. O pouco tempo que o separava da hora de embarque foi longo, pois ele não conseguia se concentrar em nada, apenas em suas dolorosas lembranças.
Ele estava ansioso para chegar em sua nova casa, pois a muito não sentia o cheiro e nem a brisa do mar acariciando seu rosto.
O corretor lhe garantiu que aquela casa era perfeita pra ele que desejava passar um bom tempo descansando.
Sua única preocupação era não se lembrar dela, algo impossível, mas ao menos lembrar o minimo que se pode.
Seu voo seria um pouco longo e quando o avião estabilizou se em altitude de cruzeiro ele tenta dormir um pouco.
Em um momento ao abrir os olhos ele se vê sentado sobre uma pedra de frente para o mar. Assustado ele se levanta rapidamente e não entende o porque ele estaria ali naquele local desconhecido, mesmo apesar de estar de frente para o mar estava tudo silencioso... Sua única percepção era um baixo som como o que ouve quando se esta submerso na água. As ondas quebravam se lentamente na praia como em câmera lenta e o vento soprava forte.
Ao olhar para o lado descobre uma figura ao longe caminhando em sua direção, mas ele não conseguia ver o que era pois além de distante havia uma névoa que envolvia tudo ao sua volta.
Parecia ser uma mulher... uma senhora com longos cabelos mesclados em branco e preto caminhando em sua direção. Ela apenas caminhava sem nenhuma expressão em seu rosto já marcado pelo tempo aproximando se cada vez mais dele, seus olhos o observavam fixamente sem dizer ao menos uma palavra enquanto seguia em sua direção. Ela usava um longo vestido de trapo acinzentado que voava com o vento.
Ela se aproxima e mesmo estando bem perto ele não consegue ver seu rosto.
Ao chegar até ele ela estende a mão como que se estivesse tentando leva lo dali.
Algo o fez sentir que deveria ir com ela. Então ele é despertado pela aeromoça que o pede para deixar seu assento na posição vertical pois o pouso seria em instantes. Ele estava todo suado e assustado.
No desembarque pega sua bagagem e parte em busca de um táxi para deixa lo em sua nova residência.
Era manhã e ao passar pela porta ele repara em como era lindo o sol alaranjado do amanhecer passando através da janela e dividindo se em pequenos raios entre as venezianas de sua sala.
-Era para ela estar aqui comigo!
O som do mar adentrava por toda a casa como se ele estivesse navegando em uma pequena canoa.
Ali estava completamente sozinho!
Ele sobe até o quarto desfaz suas malas calmamente e ao entardecer decide dar uma breve volta na praia. Sentir a areia sob os pés era algo que muito o agradava!
O entardecer com o sol se pondo na faixa do horizonte do mar deixou um contraste absurdamente magnifico do azul claro do céu com o sol sendo refletido sob as nuvens deixando as com um tom avermelhado em sangue.
O vento que soprava balançava seus cabelos e era como se não existisse mais ninguém ali além dele.
O som do mar sempre o acalmava...
Ele fica ali por horas, seus olhos se enchem de lágrimas, mas apesar de tudo ele se sente bem !
Ao voltar para casa já está tarde e o sol quase se pondo, ele decide tomar uma ducha bem demorada.
Ao terminar ele seca bem seus cabelos, veste seu pijama, deita e acaba pegando no sono.
No meio da madrugada ele acorda assustado, suado e chamando por Jennifer. Ele olha para o seu lado vazio da cama e percebe que por um breve instante pensou te la sentido o abraçar enquanto dormia, mas em seguida vê que ela não está ali ao seu lado.
Ele se levanta, desce as escadas e vai até a cozinha tomar um copo com água.
- O mar está calmo! Pensou ele. Pois não se ouvia o quebrar das ondas.
Ele vai até a janela da sala para dar uma espiada lá fora.
A lua estava linda em sua fase cheia, tudo tinha um tom azul prateado. As ondas que vinham a quebrar suavemente sobre a areia pareciam ser chumbo ao refletirem o luar.
Então percebe se surpreendido por um leve sorriso em seu rosto, mas não se permite ir tão longe pois a seguir pensa que poderia estar compartilhando aquela cena de tamanha perfeição com Jennifer.
Após alguns instantes ele percebe uma pessoa se afastando ao longe sobre a areia. Ele não deve ter notado quando a mesma passou diante de sua casa já que sua mente se esvaia longe.
- Bom, ao menos não estou sozinho! Da um leve sorriso e sobe para seu quarto na tentativa de dormir mais um pouco.
O dia amanhece e ele decide sair para conhecer o local.
Ao caminhar um pouco ele encontra uma pequena feira de artigos artesanais o que lhe chama a atenção pois ele há muito não via uma igual aquela, desde quando decidiu ir morar em Nova York abandonando tudo em sua terra natal.
Ele compra algumas peças para dar um ar mais alegre a sua estante sóbria. Ao passar por uma barraca a qual vende velas aromáticas, incensos, ou seja, artigos exotéricos ele nota que uma senhora diz algo que ele não consegue compreender muito bem.
Ele educadamente para, sorri e pergunta àquela senhora o que ela lhe havia dito.
Ela com um gesto sereno e gentil também sorri e pergunta o que foi que ele disse.
Ambos se olham como quando se está com uma interrogação entre e sorriem.
Os artigos desta senhora o chama muito a atenção e ele acaba passando horas ali escolhendo desde velas aromáticas a incensos. Tudo muito bem selecionado com o auxilio da jovem senhora que o indica as melhores cores e aromas.
Em meio a tantos assuntos conversados ela acaba perguntando sobre sua "Dona" ... Ele de princípio não entende mas rapidamente percebe que ela está lhe perguntando sobre sua esposa.
Ele sorri sem graça e apenas balança a cabeça em gesto de não, olhando para baixo. Ele volta seu olhar a ela e responde:
-Eu estou vivendo sem ela agora! Ou melhor, tentando viver sem ela.
A senhora lhe pede desculpas sem graça. Ela abre uma caixa que estava sob sua barraca e dela retira um pequeno saquinho de tecido com várias ervas e iguarias que dão um aroma marcante e o entrega. Ela diz que aquilo é um amuleto que lhe trará sorte e o faria ser encontrado pelo seu verdadeiro amor, por sua outra metade. Se a jovem a qual ele se referiria fosse esta pessoa ela viria até ele de qualquer modo.
Ele sorri um pouco sem graça e pergunta qual o valor do amuleto mas ela diz que é um presente. Ela o entrega em suas mãos e as tocam fazendo com que as dele envolvessem o amuleto. Ele a agradece e parte.
Pensando em que fará para almoço e janta ele pergunta para um transeunte onde fica o mercado ou feira livre, ele estava próximo ao mercado central. La ele escolhe peixes e vinhos para acompanhar.
Quando volta para casa já esta tarde e após jantar ele decide tomar um longo e relaxante banho de banheira. Desta vez ele fará diferente preparando o ambiente com várias velas acesas ao redor da banheira e também ao longo de todo o banheiro.
Ele prepara o banho deixando a água bem quente e curioso abre aquele amuleto que lhe foi presenteado, nota que são apenas ervas, várias delas, pega um pequeno punhado e joga na água de seu banho guardando todo o resto.
Lhe vem a ideia de tomar uma taça de vinho tinto enquanto relaxava na banheira. Ele desce escolhe uma entre tantas que comprou, pega uma taça, sobe e ao entrar na banheira abre a garrafa e coloca meia taça para sua degustação.
O banho estava incrível! Todos aquele aromas, as chamas das velas. O sol já havia se posto e entre algumas taças de vinho ele acaba adormecendo...
Mais uma vez ele é levado para o mesmo local, sim, aquele mesmo local da pedra de frente para o mar.
Desta vez ele se vê distante da pedra, aproximadamente uns 20 metros e percebe alguém sentado la onde ele antes estava, em cima da pedra. Era a senhora, a mesma do sonho anterior com seus longos cabelos brancos.
Ela estava sentada de frente para o mar , olhando fixamente para o horizonte.
Agora ele tenta correr em direção a ela mas apesar de seus esforços ele não sai do lugar. Era como se ele precisasse chegar até ela... Era uma força maior que ele. Tudo estava em slow motion.
Ele gritava por ela mas sua voz não saía. Sua voz, assim como tudo ao seu redor não ecoava, não emitia um leve ou breve som.
O clima era o mesmo de anteriormente, uma densa névoa envolvia tudo.
Subitamente aquela velha o olha apenas virando a cabeça em sua direção e então ele é arrastado para diante dela em uma fração de segundo. Ela o olha profundamente dentro dos olhos enquanto uma lágrima lhe escorria no rosto, sua expressão era de ódio, então ela grita como o grunhido de um animal que começa fraco e gradualmente vai se aumentando.
Ele acorda ofegante e sente se aliviado por estar ali em sua banheira.
Ele molha o rosto, levanta se e sai da banheira apagando as velas.
Mas uma coisa que ele não percebe é que junto a sua taça que estava ali ao lado da banheira repousada no chão havia uma segunda -taça- vazia.
Ele vai para cama e tem uma noite tranquila sem mais sonhos.
Pela manhã ele ainda em sua cama abre sua caixa de e-mail pelo seu notebook e vê que há uma mensagem de Jennifer mas a deleta sem nem mesmo ler.
Quando ele toca o chão com os pés para sair de sua cama um calafrio atravessa toda sua espinha ao notar que haviam marcas de passos sujos de areia que entravam em seu banheiro.
Ele acompanha as pegadas e percebe que elas vinham da porta principal de entrada.
A porta não tinha sinal de arrombamento, mas ao observar mais de perto ele nota algo que o faz sentir se ainda mais assustado. As pegadas indicavam que alguém havia entrado e ido até sua banheira, mas não existiam pegadas de saída...
to be continued...
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